Observatório da Saúde Pública disponibiliza indicadores sobre o SUS segundo macrorregiões

O Observatório da Saúde Pública da Umane atualiza a cada trimestre os dados por macrorregiões de saúde, um recorte central para o planejamento do SUS. As macrorregiões organizam serviços que exigem maior estrutura, como atendimentos especializados, exames, cirurgias e internações. Esse recorte ajuda a entender como o acesso à média e à alta complexidade se distribui no território. Atualmente são oito indicadores disponíveis: taxa de efetividade da atenção especializada, taxa de mortalidade infantil, taxa de mortalidade materna, taxa de internações por doenças cardiovasculares, taxa de internações por condições sensíveis à atenção primária à saúde, taxa de visitas domiciliares, taxa de rotatividade profissional e proporção de gestantes com 6 ou mais consultas pré-natal.

Calculados a partir de bases públicas, eles são atualizados trimestralmente e consideram sempre os últimos 12 meses de dados, o que permite análises mais atuais e comparáveis entre macrorregiões. Os dados já incluem informações consolidadas recentes de 2024.

A seguir, a taxa de mortalidade infantil é utilizada como exemplo para mostrar como os indicadores podem ser explorados na prática no Observatório.

Como ler a taxa de mortalidade infantil em internações do SUS por macrorregião

A taxa de mortalidade infantil é um dos indicadores disponíveis para acompanhamento por macrorregião no Observatório. Ao selecioná-la, o leitor encontra diferentes formas de visualização. A série histórica mostra a evolução do indicador ao longo do tempo. Os mapas permitem comparar macrorregiões dentro de um mesmo estado. Já os rankings organizam os territórios de acordo com os valores observados. Juntas, essas visualizações ajudam a identificar padrões e desigualdades regionais.

Os indicadores de mortalidade podem ser analisados a partir de dois recortes. A taxa de mortalidade infantil total utiliza os óbitos infantis registrados no Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) em relação aos nascidos vivos do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (SINASC) e corresponde ao indicador oficial utilizado no país.

Já a taxa de mortalidade infantil hospitalar considera apenas os óbitos ocorridos durante internações no Sistema Único de Saúde (SUS), com base no Sistema de Informação Hospitalar (SIH). Por abranger um universo mais restrito, esse recorte apresenta valores mais baixos, mas costuma acompanhar a mesma tendência do indicador total ao longo do tempo. Assim, funciona como uma leitura complementar, especialmente útil para análises mais recentes, quando só essa informação está disponível, e para entender como a rede hospitalar está organizada nas macrorregiões.

Na aba “histórico” é possível selecionar uma macrorregião e visualizar os resultados da série histórica para o indicador. Há sempre a possibilidade de comparar as informações da macrorregião selecionada com as informações da unidade da federação que ela pertence e do Brasil. O gráfico a seguir traz as informações da Macrorregião do Sertão de Pernambuco:

O ranking por macrorregião permite uma análise ainda mais comparativa

Ao ordenar a taxa de mortalidade infantil total (SIM/SINASC) por macrorregião, o ranking do Observatório evidencia diferenças entre os territórios. No recorte mais recente (T4 de 2024), as cinco macrorregiões com as maiores taxas são a Macrorregião Leste de Mato Grosso, o Oeste do Amazonas, a Macrorregião de Roraima, a Macrorregião Única do Acre e a macrorregião do Pantanal, no Mato Grosso do Sul.

Do ranking ao território: o que os mapas ajudam a revelar

Ao olhar para dentro dos estados, os dados do Observatório ajudam a entender como a mortalidade infantil se distribui entre as macrorregiões. No caso do Mato Grosso, que aparece com a Macrorregião Leste na primeira posição do ranking no T4 de 2024, os mapas ajudam a contextualizar esse resultado e mostram que o indicador não se comporta da mesma forma em todo o estado.Para esse indicador, o Observatório apresenta dois mapas. Um é baseado nos dados do SIM/SINASC e considera o total de óbitos infantis, mas possui uma série histórica menor. O outro utiliza os dados do SIH/SINASC e mostra apenas os óbitos ocorridos durante internações no SUS, mas possui informações mais recentes. Embora os valores sejam diferentes, os mapas ajudam a identificar padrões semelhantes entre as macrorregiões.

Ao permitir a visualização territorial, os mapas também ajudam a contextualizar o indicador. No caso do Mato Grosso, por exemplo, a macrorregião Leste (a mais escura do mapa abaixo) abrange um território extenso, com áreas de difícil acesso e grande presença de terras indígenas, o que reforça a importância de considerar o contexto regional na análise dos dados.

Mapa 1 — Taxa de mortalidade infantil total (SIM/SINASC)

Mapa 2 — Taxa de mortalidade infantil hospitalar (SIH/SINASC)

Dados sobre o SUS que apoiam decisões em saúde

Ao ampliar a leitura dos indicadores por macrorregiões, o Observatório reforça o papel dos dados como ferramenta para orientar decisões mais precisas no SUS. A análise de tendências, diferenças territoriais e padrões regionais contribui para compreender como os serviços estão distribuídos e onde a organização da rede de saúde pode ser fortalecida.

Esse olhar se conecta à atuação da Umane em iniciativas voltadas ao fortalecimento da saúde pública em diferentes frentes. Os desafios evidenciados pelos indicadores dialogam com programas apoiados pela organização, como o Fortalecimento da Atenção Primária à Saúde, a Atenção Integral às Doenças Crônicas Não Transmissíveis e as ações voltadas à saúde da mulher, da criança e do adolescente. Ao aproximar dados e planejamento, o Observatório contribui para apoiar políticas e práticas mais efetivas no território.

Acesse o Observatório de Saúde Pública da Umane: www.observatoriosaudepublica.com.br