Mortalidade por câncer colorretal avança 240,18% em 24 anos no Brasil

Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

O câncer colorretal (CCR), um tipo de tumor que afeta o cólon e o reto , é o terceiro tipo de câncer mais comum no mundo e segundo mais incidente entre homens e mulheres no Brasil. Trata-se de um tumor maligno que se desenvolve no intestino grosso, nas regiões do cólon ou do reto. 

A maioria desses tumores têm origem em pólipos que são pequenas elevações na parede do cólon e/ou do reto e que crescem muito lentamente, podendo levar muitos anos para se tornarem malignos.

Diante da complexidade da doença, o cenário nacional se mostra cada vez mais preocupante e tende a se agravar de forma acelerada nos próximos anos.

Um estudo recente do Instituto Nacional de Câncer (INCA), publicado em abril de 2026, estima que as mortes pela doença no país devem quase triplicar entre 2026 e 2030 na comparação com o período de 2001 a 2025. O avanço projetado é de 181% para o público masculino e 165% para o feminino, acumulando uma previsão de 635.253 óbitos até 2030.

Essa tendência de avanço da doença é confirmada pelos dados do DATASUS-SIM, publicados pelo Observatório de Saúde Pública, da Umane

De 2000 a 2024, o total de óbitos por câncer colorretal no Brasil saltou de 7.696 para 26.180, um crescimento de 240,18% em 24 anos. 

Acompanhando essa alta, a taxa de mortalidade no período saltou de 4,4 (2000) para 12,3 (2024) mortes a cada 100 mil habitantes. 

Os fatores de risco que contribuem para o aumento dos óbitos em ambos os sexos estão ligados à crescente exposição da população a hábitos não saudáveis, como:

  • Consumo frequente de carnes processadas, ultraprocessadas e excesso de carne vermelha;
  • Excesso de gordura corporal e obesidade;
  • Sedentarismo;
  • Trabalhadores expostos à fumaça em processos de defumação;
  • Uso de tabaco;
  • Consumo excessivo de álcool.

A prevenção envolve exames de rotina, de rastreamento e adoção de um estilo de vida saudável que ajudam a reduzir o risco de desenvolvimento da doença:

  • Alimentação com alimentos in natura, ricos em fibras e fitoquímicos com propriedades anticancerígenas.
  • Prática regular de atividade física melhora a imunidade, equilibra os hormônios, acelera o funcionamento do intestino e combate os processos inflamatórios do organismo.
  • Controle de peso

Consumo de álcool e câncer de intestino: Descompasso entre percepção de risco e dados epidemiológicos

O consumo de bebida alcoólica é um agravante para essa realidade. O Ministério da Saúde alerta que o consumo está associado a mais de 230 tipos de doenças e diversos tipos de câncer, incluindo o colorretal. 

A relação direta entre bebida alcoólica e câncer é de conhecimento da maior parte da população de 18 anos ou mais, de todos os municípios do país, segundo pesquisa Mais Dados Mais Saúde realizada entre setembro e outubro de 2025, publicada no Observatório da Saúde Pública, da Umane:

  • 71,3% reconhecem que o álcool eleva o risco de câncer
  • 14,8% discordam
  • 14,0% não souberam responder ou não responderam


O discernimento é maior entre as mulheres (73,3%) do que entre homens (68,7%), enquanto a negação do risco é superior entre os homens (19%) em comparação com as mulheres (11,5%).

Apesar da percepção de perigo manifestada pela maioria das pessoas, dados epidemiológicos do Vigitel, coletados de 2006 a 2023, em todas as capitais do Brasil, atestam o aumento do consumo de álcool (ao menos uma vez por semana) em todas as faixas etárias, com destaque entre jovens adultos, adultos e idosos:

  • A faixa etária de 25 a 34 anos representa o maior volume de pessoas que consumiam álcool tanto em 2006 quanto em 2023. Ao longo dos 17 anos analisados, houve um acréscimo de 768.404 novos indivíduos consumindo bebida alcoólica nessa faixa jovem.
  • Na faixa de 45 a 54 anos, o número de pessoas que consomem álcool em 2023 representou quase o dobro em relação a 2006.
  • Nos grupos de 55 a 65 anos ou acima o número de pessoas que consumiam álcool mais que dobrou.

O cruzamento desse cenário com o perfil de mortalidade por câncer colorretal revela uma correlação temporal conhecida na saúde pública: o consumo de bebida alcoólica por jovens tem impacto cumulativo que se manifestará clinicamente décadas mais tarde.

Dados do DATASUS-SIM de 2000 e 2024 confirmam essa dinâmica, mostrando que os óbitos por câncer colorretal cresceram em quase todas as idades, com queda apenas na faixa de 0 a 14 anos. A maior concentração e o ritmo mais acelerado de mortes ocorreram justamente na população de 55 anos ou mais — evidenciando que o aumento da mortalidade na maturidade tem como um dos fatores associados o consumo de álcool consolidado na juventude.

Colonoscopia no SUS: homens fazem menos o exame mesmo diante da alta de mortes por câncer colorretal

O Ministério da Saúde anunciou em maio de 2026 um novo protocolo para rastreamento do câncer colorretal no Sistema Único de Saúde (SUS). 

  • O chamado Teste Imunoquímico Fecal (FIT)), que detecta sangue oculto invisível a olho nu, passa a ser o exame de referência para homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos. Segundo o MS, o teste detecta de 85% a 92% possíveis alterações.
  • Quem apresenta resultado positivo no teste FIT é direcionado com prioridade para realizar a colonoscopia.
  • Pessoas com histórico familiar ou doença inflamatória intestinal precisam de rastreamento precoce e personalizado, seguindo a orientação médica.

A colonoscopia é realizada pelo SUS desde 1998, ano da criação do sistema de saúde. Entre 2011 e 2025, o número de mulheres que realizou o exame superou o de homens em todos os anos. 

O volume de exames apresentou trajetória ascendente entre 2021 e 2024 impulsionado pelo envelhecimento populacional, pela conscientização e, provavelmente, pela necessidade de vazão à demanda represada durante o período de pandemia, atingindo o teto histórico de 574.576 exames em 2024. 

Os dados de 2025 devem ser analisados com cuidado, por serem ainda provisórios e sujeitos a atualizações.

Manter os exames em dia, adotar hábitos saudáveis desde cedo e evitar os fatores comportamentais de risco previnem o câncer colorretal, já que a doença pode se desenvolver silenciosamente. 

Se detectado na fase inicial, o câncer de intestino tem chances de cura acima de 90%. Por outro lado, o diagnóstico tardio diminui a probabilidade de cura e exige tratamentos mais agressivos. Estar atento aos sintomas e buscar ajuda médica rapidamente salva vidas.

Para controlar e mitigar as estimativas do INCA para 2030, a área da saúde e a sociedade devem manter a força-tarefa pela conscientização da população de todas as idades, especialmente do público masculino. 

Informação orienta, o rastreamento protege e a atitude precoce salva vidas.

Leia mais no blog da Umane: Câncer colorretal: tudo sobre o terceiro tipo de tumor mais comum no Brasil