Copa do Mundo: visibilidade do esporte e o aumento da prática de exercícios físicos

Raquel Portugal/Fiocruz

A Copa do Mundo de Futebol 2026 vai atrair todas as atenções para as 104 partidas disputadas por 48 seleções. No Brasil, a audiência massiva é um fator de estímulo para gerar interesse da população pela prática de exercícios físicos e esportes, ambos fundamentais para a manutenção da saúde e qualidade de vida.

A atividade física contribui para a prevenção e controle de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como doenças cardiovasculares, câncer e diabetes, melhora a saúde óssea e funcional e tem importante papel no controle de peso.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), um em cada quatro adultos não faz os 150 minutos de atividade física de intensidade moderada recomendada, e até 5 milhões de mortes por ano poderiam ser evitadas se a população mundial fosse mais ativa. No Brasil, a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019 mostra que 40,3% da população de 18 anos ou mais não pratica o tempo de atividade física recomendado pela OMS.

Exercícios físicos avançam para 54% da população das capitais; mulheres lideram a arrancada contra o sedentarismo

Segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano Nacional (RDHN) de 2017, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o aumento de atividade física no cotidiano da população brasileira tem relação com a exposição midiática dos grandes eventos esportivos que o Brasil sediou na década de 2010, entre eles a Copa do Mundo de 2014, os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016, Jogos Pan-Americanos de 2007 e a Copa das Confederações de 2013.  

O futebol, paixão nacional, potencializa esse engajamento. Jogado por milhares de brasileiros em suas mais diversas variações, como futevôlei, futebol de areia, de salão, society e de várzea, ele é um indutor para uma vida ativa, incentivando a busca por outras práticas esportivas e de suporte.

Dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), levantados pelo Observatório de Saúde Pública, da Umane, registraram um avanço progressivo na prevalência de adultos ativos nas capitais brasileiras de 2016 a 2023.

A série histórica mensurou pessoas de 18 anos ou mais que realizavam atividades como caminhada, corrida, ciclismo, musculação, natação, tênis, dança, ginástica, lutas, artes marciais e esportes coletivos como futebol, basquetebol ou voleibol.

Em 2016, dois anos após a Copa do Mundo realizada no Brasil, 49,9% da população das capitais informou praticar algum tipo de atividade física entre as citadas acima, independentemente de frequência e duração. O indicador atingiu 54,0% em 2023, um aumento de 8,22% no período de sete anos.

O gráfico mostra que as mulheres passaram a se exercitar em um ritmo de aceleração superior ao dos homens, embora eles liderem o ranking geral:

  • O índice de mulheres praticantes de atividades físicas nas capitais subiu de 43,0% (2016) para 49,9% (2023), uma taxa de crescimento de 16,05%.
  • Já o índice de homens variou apenas de 58,0% (2016) para 58,9% (2023), uma taxa de crescimento de 1,55%.

Idosos praticam menos exercícios físicos, mas apresentam o maior índice de alta de 2021 a 2023

Uma análise por idade revela que o Brasil envelheceu se movimentando mais em 2023 do que em 2016. A recuperação depois de 2021 é observada em todas as faixas etárias, exceto entre adultos de 25 a 34 anos. Em 2016, 56,5% da população dessa faixa etária praticava atividade física; em 2023, 56,1%.

De 2020 a 2023, os grupos entre 18 e 54 anos mostraram tendência de alta no perfil de atividade física. Em contrapartida, houve queda temporária de 2020 a 2021 nas faixas etárias de 55 a 64 anos e 65 anos ou mais, seguida por uma recuperação de 2021 a 2023:

  • A população de 55 a 64 anos, que historicamente ocupa o segundo menor percentual de atividade física no gráfico, registrou alta de 7,73% no índice de praticantes entre 2021 e 2023.
  • Já a faixa de 65 anos ou mais, que representa o menor percentual na prática de atividade física em todo o período monitorado (2016 a 2023), foi o destaque da retomada: apresentou o maior índice de recuperação entre 2021 e 2023 se comparado aos outros grupos do gráfico, com alta de 17,3%.

Futebol feminino profissional rompe barreiras e cresce 394% 

O crescimento do futebol feminino profissional coincide cronologicamente com a realização da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2023 e com a criação da Estratégia Nacional para o Futebol Feminino (Decreto nº 11.458/2023), do Ministério do Esporte.

O número de atletas profissionais do sexo feminino registrado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) aumentou 394,39% no período de quatro anos:

  • Em 2022, a CBF tinha 214 jogadoras registradas.
  • Em 2026, o número saltou para 1.058.

Campeonatos nacionais, torneios de categorias de base, circuitos estaduais e outras iniciativas pelo país também fomentam o interesse do público feminino pela modalidade.  

Interesse das mulheres por esportes cresceu 20% de 2020 a 2024

No recorte do Vigitel de 2023 para esportes coletivos de quadra ou campo, 4% dos entrevistados de 18 anos ou mais, moradores das capitais, responderam praticar futebol, basquete ou voleibol como atividade física, independentemente da frequência e duração do exercício. 

A prevalência masculina (8,1%) na prática destes esportes supera a feminina (0,6%). 

Mas o interesse das mulheres por esportes, incluindo o futebol e o voleibol, está em alta. O estudo Women and Sports 2025 (IBOPE Repucom), realizado via internet com brasileiros de 18 anos ou mais, mostra que o interesse feminino cresceu 20% entre 2020 e 2024 em 30 modalidades mais populares; o dobro do crescimento masculino (9%) no mesmo período. Os esportes com mais fãs entre as mulheres são voleibol (70%), ginástica artística (69%), natação (65%), vôlei de praia (61%) e futebol (60%). Com exceção do futebol, o interesse feminino supera o masculino nas outras quatro modalidades.

A Copa do Mundo de 2026 e a Copa do Mundo Feminina de 2027 criam um cenário favorável para atrair novos praticantes de atividades físicas e esportivas no Brasil, desempenhando um papel relevante na estratégia de combate ao sedentarismo. 

Leia mais no blog da Umane: Os benefícios da atividade física e do esporte no dia a dia