Hipertensão avança no Brasil e reforça importância da prevenção e do diagnóstico precoce

A hipertensão arterial segue entre os principais desafios de saúde pública no mundo. Para ampliar a conscientização sobre a condição, o Dia Mundial da Hipertensão, celebrado em 17 de maio, mobiliza organizações de saúde e especialistas em diferentes países em torno da prevenção, do diagnóstico precoce e do controle da doença.

Um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostra que o número de adultos vivendo com pressão alta dobrou entre 1990 e 2019, passando de 650 milhões para 1,3 bilhão. Mesmo com a alta incidência, quase metade das pessoas com a condição não sabe que tem a doença, já que, em muitos casos, ela não apresenta sintomas. Apesar da falta de sinais evidentes, essa condição pode causar derrames, ataques cardíacos, insuficiência cardíaca, danos renais e muitos outros problemas de saúde.

Dados de inquéritos de saúde mostram que a pressão alta atinge quase 30% dos brasileiros

Informações do Covitel, disponíveis no Observatório da Saúde Pública de Umane, mostram que o cenário brasileiro também acende um alerta. Em 2023, 26,6% da população relatava diagnóstico de hipertensão. O levantamento ainda aponta maior prevalência da condição entre as mulheres: naquele ano, 30,8% delas haviam sido diagnosticadas com hipertensão, ante 22,2% dos homens.

A maior prevalência entre mulheres também aparece em estudos científicos recentes. Publicado em 2022 na revista Frontiers in Cardiovascular Medicine, o estudo Hypertension in Women aponta que a hipertensão tende a se tornar mais frequente e severa nas mulheres após a menopausa. Entre os fatores associados a esse cenário estão a redução dos níveis de estrogênio e progesterona, além da hiperatividade do sistema nervoso, característica comum dessa fase da vida.

Dados do Vigitel reforçam essa relação entre envelhecimento e aumento da hipertensão. Considerando a população de 18 ou mais anos de idade das capitais brasileiras, em 2023, o levantamento identificou maior prevalência da condição entre homens e mulheres com mais de 64 anos nas capitais brasileiras, faixa etária em que fatores hormonais, metabólicos e cardiovasculares passam a ter maior impacto sobre a saúde. Na faixa etária de 35 a 44 anos, 19,5% das pessoas apresentaram diagnóstico de hipertensão. Na faixa acima dos 65 anos, esse percentual subiu para 64,6%.

O histórico do Vigitel também mostra que, assim como acontece em outros países, a prevalência da hipertensão vem crescendo no Brasil nos últimos anos. Entre 2008 e 2019, os percentuais se mantiveram relativamente estáveis nas capitais brasileiras, com pequenas variações ao longo do período. A partir de então, porém, o avanço se tornou mais acelerado: em 2019, 24,3% da população das capitais relatava diagnóstico de hipertensão, índice que subiu para 28,1% em 2023.

Nova diretriz deixa de considerar 12 por 8 como pressão normal

Com o objetivo de realizar um diagnóstico precoce, novas diretrizes brasileiras de manejo da pressão arterial passaram a adotar critérios mais rigorosos para identificação de pessoas em risco. Desde 2025, a aferição de 12 por 8 deixou de ser considerada um valor totalmente normal e passou a ser classificada como indicador de pré-hipertensão. A mudança tem como objetivo ampliar o cuidado preventivo e incentivar intervenções precoces, principalmente relacionadas a hábitos de vida, antes da progressão para quadros mais graves da doença.

Prevenção e controle ajudam a reduzir internações

Dados do Observatório da Saúde Pública mostram que, após um período de queda, o número médio de dias de internação por hipertensão voltou a crescer no Brasil a partir de 2022. Em 2024, a média chegou a 4,23 dias de internação nos municípios brasileiros, cenário que reforça o impacto da doença sobre o sistema de saúde e a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento contínuo da população.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a prevenção, a detecção precoce e o tratamento adequado da hipertensão estão entre as medidas mais econômicas da saúde pública. A entidade aponta que o controle da pressão arterial pode evitar complicações graves, como AVCs, infartos e insuficiência cardíaca, além de reduzir custos com internações e tratamentos de alta complexidade.

Alimentação saudável e atividade física ajudam a prevenir a hipertensão

A adoção de hábitos saudáveis também é considerada uma das principais estratégias para prevenir e controlar a hipertensão. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), adultos devem realizar pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada ou intensa para reduzir o risco de doenças crônicas, incluindo a pressão alta. Além de ajudar na prevenção, a prática regular de exercícios também contribui para o controle da pressão arterial entre pessoas já diagnosticadas com hipertensão.

Dados do Vigitel 2023 mostram, porém, que fatores relacionados ao estilo de vida ainda representam desafios importantes no Brasil. Naquele ano, 46% da população adulta das capitais brasileiras não praticava atividade física suficiente, cenário que se agrava com o avanço da idade. Entre pessoas com 65 anos ou mais, apenas 42,7% realizavam algum tipo de atividade física.

O levantamento também aponta baixa adesão ao consumo adequado de frutas e hortaliças: o inquérito revelou que, em 2023, apenas 21,3% dos adultos atingiam a recomendação diária indicada pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), de ao menos 400 gramas por dia. 

Diante do avanço da hipertensão no país, ampliar o acesso à informação, fortalecer a atenção primária à saúde e incentivar hábitos saudáveis seguem entre os principais desafios para reduzir o impacto da doença nos próximos anos.